domingo, 10 de março de 2013

Só mais um homem comum...




Era um homem gentil que queria mudar o mundo, ele dizia, sempre que alguém precisasse, ele fazia, pra acompanhar um amigo, tarde dormia, um desconhecido pelas ruas com problemas, ele o ajudaria, um animal que lhe parecia sozinho, com as mãos acaricia, dava bom dia mesmo que não lhe desejassem tal, ele insistia, era uma dessas pessoas que sabem muito bem o que fazer, ou melhor, o que não fazer: com mal a ninguém machucaria.
Era um rapaz complicado, ele dizia, profundo feito uma fenda abissal mergulhava fundo ,quando se perdia, afogado de sentimentos, ele nadaria, no piloto automático, ele agia, até voltar a superfície com a verdade, que o contradizia, e voltava a ser ele, por alguns dias, mas sempre teve que voltar, a vida pedia, sempre teve medo de cair e não voltar mais, a ferida abria.
Era uma boa companhia, ele dizia, aos bares e lanchonetes duvidosas, ele acompanharia, nas noites sem sono e conversas tardias, ele aproveitaria, das confissões mais pesarosas e reconciliações quase insolucionáveis, ele resolveria, das piores horas do dia ou acompanhados pelo maravilhoso bolo de uma Vó Maria, ele estaria, pra que tudo ficasse bem, ele sorria.
Era um bom amante, ele dizia, que seu olhar era um extensão do seu ardor, ele seduzia, que seu toque era intenso como o amor, ele preenchia, que seu abraço dava alma uma nova cor, que transluzia, que seu beijos eram um sabor, que satisfazia, que suas palavras, acima de tudo suas palavras, nunca foram capazes, jamais, de dar significado o que ele queria ou sentia.
Por isso, por Deus do céu, deu a esse humilde escritor com toda a sua lábia e patifaria que escrevesse esse monte de palavras, de frases, parágrafos, MENTIRAS, tudo aquilo que ele era, ou gostaria que fosse, mas que nunca dizia, na verdade, só fora traduzido em porcas palavras pelas coisas que fazia, e observado com esses olhos contaminados por laços de amizade, antiga, que não permitem dizer que seu bom coração sempre foi sua ruína e a salvação dos seus dias.
Hoje, ele não é um tão homem bom, não se preocupa tanto com os outros, tornou-se até bem egoísta, parou de pensar e começou a sentir, viveu um pouco mais como protagonista de sua própria história.






E mais uma vez eu posto uma crônica de Domingo, estarei sempre a postando conteúdo aqui no blog e espero que sempre estejam acompanhando e compartilhando, curtindo AND aproveitando tudo tanto quanto eu! =D
Abraços a todos e até terça-feira! \0/

4 comentários:

  1. "que suas palavras, acima de tudo suas palavras, nunca foram capazes, jamais, de dar significado o que ele queria ou sentia."

    (:

    fleur-du-matin.blogspot.com

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  2. Belo texto, mas se tu passou a sentir a mais e pensar menos, como ficou mais egoísta? Acho que passou a ser insensível isso rs hahaha Mas enfim, entendi o que quis dizer com o texto, às vezes queremos fazer "a diferença", mas a realidade nos lembra que somos "pessoas comuns"... Mas são pessoas comuns que tem todo o poder, basta acreditar! :)

    Adolecentro

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    1. Haha! Belo questionamento!
      O Fato é que este homem comum age por si mesmo, mas sem pensar tanto no que os outros pensam, esperam ou precisam.
      Ele ainda acredita no mundo, ele é um pouco insensível agora, ele ainda quer salva-lo, mas pode deixar isso para os outros também , ele quer sair pra se divertir com coisas que só ele ri ou mais alguma pessoa importante que ele goste de investir o tempo! Haha

      =D

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