Enquanto você está inconsciente na
realidade, ciente de todas as forças gravitacionais que envolvem vossa cama,
líquidos transferem-se da sua boca pra a fronha, seus cabelos se esparramam pelo
travesseiro, suas meias saem misteriosamente dos pés, e você fala alguma coisa estranha
sobre pegar algo que na verdade nem você se existe, ele está lá.
Com sua aparência gentil de um senhor de
idade e um sorriso agradável, vem a toda a freguesia oferecer seus préstimos a
todo aquele que quer ou precisa. Não liga da concorrência, ele tem tudo que
precisa, os pagamentos que lhe são feitos a vista e alguns bons pedaços de bolo
que lhe dão a perder de vista. Não há negócio ruim, você só tem a ganhar, ele é
o mercador de sonhos, freguesia, pode se achegar.
Dentro de sua vigorosa mala de couro
feita à mão com um talentoso artesão, de lugar nenhum, estão todos os sonhos
que ele pode imaginar, uns que os outros imaginaram e o contaram, outros que
escaparam do hospício, outros das mesas dos bares rindo em boêmia, alguns
outros que encontrou abandonados no caminho trocando trabalho por comida e
outros voando para o sul para fugir do inverno que vinha.
Sonhos de todos os tamanhos, formas,
gostos, cores, sabores, risos, tintos, secos, doces, prato, gorgonzola, em dó
sustenido, de pé nos muros, num café em paris, numa roda de amigos em
Jacarepaguá, até em Jacarezinho se duvidar, ele tinha. Tudo muito organizado no
caos daquela mala toda sortida, que hora pulavam pra fora, ou se deitavam preguiçosamente
uns sobre os outros dando ao cliente uma mistura de confusão, encantamento e
uma vontade louca de pular lá para dentro sem ter que ligar para o despertador
ou para o emprego ás 7 horas das manhãs de segunda, quartas ou quintas.
Dentro de seu casaco longo e pesado havia
várias frascos com sonhos especiais em forma de bebidas, administra-se uma dose
única de cada um uma vez na vida, já era o suficiente para curar as noites vazias.
Borbulhavam, espirravam, assoviavam, se agitavam, se acomodavam, até roncavam
nos bolsos do vendedor que dava risada ao ver alguns sonhos sobre ir do Caribe
até a Mongólia montada em cima de um pombo chinês, ou de pesquisadores que
descobrem a verdade sobre os dinossauros e os mistérios da paçoquinha.
Anotava tudo em sua mão para não
esquecer, poderia até esquecer os nomes, mas nunca da essência, necessária para
mais tarde enquanto seguia inventar os mais mirabolantes sonhos pra botar na
sua mala que de tão cheia quase explodia, só que de fantasias. Assim fazia enquanto
andava pelas ruas em sua bicicleta, com uma mão no guidão e a outra hora
segurando deliciosos pedaços de bolos a cada mordiscada, hora contando o
pagamentos em sorrisos de satisfação dos clientes por onde passava.
Já lhe perguntaram uma vez como conseguia
viajar o mundo se em sua posse só tinha o casaco, a mala, a magrela e a
alegria, o mercador gargalhou e respondeu em tom de zombaria:
_ Fala comigo enquanto dormes e ainda acredita só nas estradas de piche que o homem construía? Oras, caro cliente, caminho pelas estradas formadas pelos Z’s que saem de vossa boca enquanto no sono transita, ou quem sabe isso só seja um dos meus sonhos confundindo minha resposta já tão pouco esquisita, Hahaha - gargalhou ele mais uma vez – tudo é possível pra quem sonha e no sonho tudo se descomplica, não se apegue a “como ele chegou aqui?”, mas quem sabe, talvez, “que sonho me trará em sua mala na próxima visita homem tão cosmopolita?”!
_ Fala comigo enquanto dormes e ainda acredita só nas estradas de piche que o homem construía? Oras, caro cliente, caminho pelas estradas formadas pelos Z’s que saem de vossa boca enquanto no sono transita, ou quem sabe isso só seja um dos meus sonhos confundindo minha resposta já tão pouco esquisita, Hahaha - gargalhou ele mais uma vez – tudo é possível pra quem sonha e no sonho tudo se descomplica, não se apegue a “como ele chegou aqui?”, mas quem sabe, talvez, “que sonho me trará em sua mala na próxima visita homem tão cosmopolita?”!
Segue pela vida, enquanto o sono não esvai,
transcendendo entre a imaginação e onde as crenças por terra caem, ele sorri,
pedala e vive a perguntar: Então, meu caro, minha cara, com qual dos meus
maravilhosos produtos desejam, esta noite, sonhar?
É isso ai! Mais um texto, mais uma aventura, mais um esforçinho e mais alguma coisa pra fazer enquanto o dia se arrasta! Espero que gostem e sintam-se a vontade pra comentar, rir, chorar, curtir, compartilhar, me dar bolo, boa noite e, quem sabe, me dar um belo sonho de presente! =D
Abraços pessoal e até a próxima terça-feira com mais Pedrodeamolar.blogspot.com.br! \( *-*)/

Os nossos sonhos que nos movem!! Adorei o texto :D
ResponderExcluirTenha uma ótima semana! :D
Adolecentro
"Fabricar" sonhos é uma de nossas melhores qualidades! \o/
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