segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sonhos de Goiabada polvilhados de Açúcar Mascavo...




_Não é possível, devo estar cego! - Foi o primeiro pensamento que me veio a cabeça ao presenciar aquela cena.
É bem verdade que eu conhecia muito bem aquele lugar, uma cúpula imensamente pintada, na sua riqueza monocromática de um branco reluzente, do pérola ao marfim, das listas do tênis a pouco tempo comprado e do lençol recém colocado no varal, que me fazia sentir a cegueira no mínimo curiosa: Não havia nada lá, mas deveria ter, pelo menos uma mesa sem hierarquia, sem eira, nem beira, muito grande com seus vários ocupantes de épocas diferentes, mesmo sendo a mesma pessoa. Além da sala só via a luz que iluminava aquele lugar que não tinha origem do meu ponto de vista. Já a sala o seu fim eu não conseguia definir: se estendia-se ao infinito ou se acertaria meu nariz de formato engraçado se andasse uns poucos 30 cm para o lado.
 _ O que será que aconteceu? Por que eu voltei pra esse lugar? - levantei a indagação ainda confuso, enquanto meu corpo não parava de andar para frente na direção do nada que se levantava majestoso na minha frente, ou se abaixava, ou fazia uma dança de ladinho podia fazer qualquer coisa, mesmo assim era o nada, o vazio, a possibilidade...
De repente, como se estivesse numa história em quadrinhos ou num livro de ilustrações realistas, linhas, traços, pontos, arcos despontavam de todas as partes desde o chão e no ar que ao mesmo tempo que evaporavam se tocadas e novamente eram desenhadas, tornavam-se extremamente rígidas e concretas caso já a parede, janela, porta, mesa ou caçarola que estivesse sendo ali desenhada tivesse sido completamente pintada. Curiosa estrutura apoiadas em pilares e arcos romanos estavam agora sob a minha cabeça, enquanto belas tapeçarias vindas do Oriente desenrolavam-se vermelho rubi e um azul topázio, de uma maciez de abraçar uma ovelha antes da tosa ou de calçar uma pantufa bem confortável.
Grandes portas de madeira trabalhada a mão e grandes janelas retangulares cuidavam para que a luz do lado de fora, se é que o tinha, entrasse ou para que a luz saísse de lá para fora, não sei ao certo.
Várias mesas portando belas e alvas toalhas branco coco com um porta temperos repleta de especiarias de várias lugares das comidas que ali, provavelmente, são servidas. Longas cadeiras de madeira cor de chumbo eram delicadamente postas 4 a 4 em cada mesa, um padrão bonito para o amplo salão que erguia um belo lustre clássico no seu centro e abaixo uma gigantesca mesa onde eram servidas deliciosas, pelo aspecto, comidas de várias cores e aromas.
 _ Deve ser um bom restaurante, espero que tenha dinheiro no banco para paga-lo! - enquanto sacava a carteira vazia do fim de mês, como aquele salão desprovido de qualquer cliente, garçom e gerente escovadinho.   
Dei dois passos em direção a grande mesa:
 _Psiu! - De repente, vindo de algum lugar atrás de mim!
Virei no mesmo instante, era uma velha conhecida, com seu cabelo quase chanel e seu sorriso largo com a boca pintada de um vermelho vivo e roupas vindas de um canto alternativo de uma cidade Grande. Curiosamente, ela, agora, ignorava a minha presença enquanto lia concentradíssima a parte do menu que falava sobre as aves servidas no local. Virei e pus-me de novo em direção a mesa.
 _Psiu! - novamente, virei-me, ignorou-me, virei-me - Psiu! Virei-me, ignorou-me, irritei-me!
 _Psiu! - Continuei -Psiu! - Continuei - Psiu! - Ô lasqueira!
Quando tornei a virar para a mesa ela já não estava lá, mas tinha alguém lá, e quase fiquei branco ao notar a presença daquela mulher ali sentada.
 _Por que ela está aqui? Por que eu estou aqui? Alguém vai anotar meu pedido? - Eram as únicas coisas que me passavam na cabeça.
 _Quer Jantar comigo? - Disse com suas simples feições sem maquiagem, os cabelos curtos que nem tocavam o vestido tão branco quanto a sua pele, seus óculos vermelhos e um cachecol de um vermelho tão visceral que parecia ser algo que pulsava junto com seu coração.
_ Você não me odeia? -  Perguntei ainda estupefato com o convite e dei dois passos para frente enquanto ela sorriu. Foi a última vez que a vi.
Uma enorme porta ergueu-se na minha frente sem ser chamada ou anunciada por nenhum trompete ou mestre de cerimônia, que ousadia! Nem essa indelicadeza me fez não abrir aquela porta, donde em uma queda livre de mais de 10 de minha pessoa em estatura me aguardava.
 _Que estranho, não doeu, nem quebrei nada... e que roupas são essas meu bom senhor, é politico agora? - disse a um velho amigo saltitante que encontrava agora em vestes de plenário em uma sala que me lembrava o senado.
 _Vou muito bem amigo Pedro. Consegui várias conquistas deste a última vez que nos vimos, estou aqui dentro e farei várias coisas que sempre tive vontade. - E continuou a falar de muitas coisas que já executava, coisas que já não me lembro mais, enquanto eu estalava meus olhos fitados em como ele se parecia tanto um grande homem dos discursos da TV.
Aos poucos a luz daquele lugar foi sumindo e o ambiente ia mudando aos poucos enquanto as últimas palavras de uma revolução de pessoas de terno saiam ritmadas da boca daquela figura tão carismática. 
Agora uma estrada de tijolos, um coqueiro, uma gruta, e uma floresta ao fundo eram meu cenário, eu já não estava mais entendendo muita coisa, mas o que aquele homem fazia encima daquela árvore para mim era um mistério...
 _ Bons cocos dão nessa época - me dizia, o homem que só por fotos conhecia , mas cuja a voz firme e os traços marcantes me pareciam de alguém que convivi boa parte da minha vida - Quer alguns filho? - dizia com um carinho tão grande que parecia um pai dando um doce ao seu filho, mesmo sabendo que era pai da menina que agora estava do meu lado rindo da cena.
 _São uns bobões mesmo! - Ria enquanto descascava várias mexericas que comia a grandes bocadas como um molequinho que acabava de escapar das pragas de uma vizinha gritadeira que a pouco a pegará dentro de seu quintal.
Dado momento enquanto conversávamos, lembrei que tinha de chamar alguém que estava ali na gruta perto de onde estávamos. Antes de gritar seu nome, de supetão, uma onça surge do nada e pula encima da garota que sem saber de nada, não sabia se segurava a mexerica, se dava um safanão na danada, se caia no chão, ou se desmaiava. Para nossa sorte, talvez, a última opção era a qual ela selecionará, pobre molequinha...
De um salto mortal como num filme desceu o Pai furioso do coqueiro entortado, pegou a onça de jeito para ficar com o corpo imobilizado, já eu, não sei como fiz, dei lhe um virada com o pé que quebrou o pescoço da fera indomada que agora só veria a floresta e faria lanchinhos de gente em outra tomada dessa produção cinematográfica.
Desesperado em uma velocidade de lancha desembestada saiu o pai com a filha amada nos braços dentro do mar de árvores, enquanto eu aturdido com a onça ainda sob meus pés procurava meios de não perder o rapaz de vista para mais tarde poder encontra-la.
Passei do caminho de tijolos, que não eram dourados mas, que me levavam pra um lugar onde eu queria estar, era uma casa de madeira bem ajeitada, passei uma varanda onde tinham uma cadeiras e uma pequena escada que dava acesso a uma área com uma grande pia onde provavelmente muitas roupas eram batidas e lavadas, passei pela cozinha sem prestar muita atenção, pela sala só vi uma televisão, e um telefone daqueles cujos dedos encaixavam nos números em voltas sem fim para telefonemas a cobrar, cruzei tudo isso e cheguei num quarto onde os dois descansavam.
Só me recordo dele parado de pé, com uma mesa a sua frente onde deitava a filha descansava suavemente como se fosse possuída por uma tranquilidade que não existia em nenhum lugar, era o que seu sorriso demonstrava.
O Pai agora aliviado me dizia as seguintes palavras:
 _ Pode ficar sossegado filho, que agora ela está bem, agora ela não precisa mais daquele que ficava ligando toda hora aqui em casa - disse me olhando no olhos - ele já estava até pensando em voltar embora.
Olhei pensativo enquanto o telefone começava a tocar.
_Deve ser o ...
...
...
Por algum motivo naquele dia, coloquei o celular mais cedo pra despertar, não cheguei atrasado no trabalho, nem vou esquecer daquele nome, isso explicaria muitas coisas que aconteceriam nos próximos dias...



Sonhos de goiabada polvilhados de açúcar mascavo...
...você que me ama aceita um pedaço?


Crônicas de Domingo, agora na segunda, por que?
Oras bolas... é o jeito que se vai dando! Haha
Continuem comigo nessas doces aventuras que povoam a mente desse menino em #NegroDramaentreosucessoeaLama
Abraço, beijo e um desejo: Boa Semana a todos! =D

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