Ela estava lá, floresceu no meio do lodo, de onde todos saem, pisam, limpam no tapete, reclamam e voltam pra dormir quando o sono vem. Ninguém notou, ela nunca existiu, mas estava lá, ninguém a viu florescer, ninguém se importava, ela existia, e como existia.
Catarina era seu nome, sim ela tinha, nome, e também tinha pele macia, Ah se tinha! Daquelas onde, Deus, um repousar em sua fina camada de carapaça juvenil vale como um deleite nos gramados de um paraíso qualquer onde se deseja estar. A pele morena de nascença e o sol de todos os dias faziam daquela tonalidade de um negro achocolatado do frio de Junho um apetite a parte, e que dava ainda mais validade aos volumosos e sedutores lábios, dois gomos de uma fruta doce levemente azeda, os olhos profundos como as noites de abril e o emaranhado de cachos que lhe teciam um véu de noiva sobre as salientes maças do rosto. Os ombros estreitos, os pequeninos pés e os 1,67 m de altura sustentavam uma presença tão carnal e tão espirituosa de uma jovem de 20 anos que se camuflava nos grandes moletons da liga de futebol, calças jeans com rasgos de belos tombos de skate e tênis... Bom... Os tênis eram bonitos, mas as roupas também eram... Acho que ninguém achava isso.
Pobre da menina, que ninguém queria, seu pai, mágico amador, deu para desaparecer quando estava a apenas 3 meses na barriga de sua mãe, seu truque não durou muito tempo e foi pego pela polícia 1 semana depois pelos truques fajutos que aplicou nas pessoas erradas. Sua mãe, ou a menina que a tinha a criança na barriga, abandonada e desiludida caiu em desespero e já abusava do álcool, dos cigarros, e da sorte de ainda ter sua mãe para cuidar dela nessa época. Sorte que não deu forneceu a pequena menina que depois que nasceu, numa noite de segunda-feira quando o relógio já marcava o final do dia, foi deixada na porta de um açougue na escura rua Porfílio Pompeu nº 123 que pertencia a ninguém.
Esse é ninguém, parado na porta do açougue em suas vestes brancas ensebadas de tripas, sangue, gordura e carne do trabalho braçal em contraste com sua pele escura feito ônix, quente como uma brasa, observando a pequena cesta sem laço e sem carinho. Aquele gigantesco corpo curvado tentava segurar a frágil menina que estava enrolada num lençol azul bebê, com remelas nos olhos e sorria como boba para ninguém.
Aos olhos apaixonados de ninguém, que assumiram o mesmo chocolate da pele da menina em sua homenagem, aquilo era nada mais, nada menos, que uma benção dada em ordem errada, pois desejará também uma mulher para chamar de linda e passear de bicicleta pelo parque nos domingos à tarde, dia de sua folga. Porém, nada o impedia de chorar e rezar para agradecer pela graça que chamou de sua filha, que entre as peças de carne dependuradas pelos ganchos afiados, a grande sala fria do estoque com o fétido cheiro de sacrifício e o balcão sempre sujo de dinheiro e sangue, ganhou o calor de um coração bom e de um abraço de uma pessoa que a vida quase tornou fria, pela solidão.
E então a vida dos dois começara, a partir daquele momento enquanto o mundo todo dormia.
Assim renasceu a menina, que foi chamada Catarina, assim também ninguém renasceu, mas pode chamá-lo de Roberto.
E assim começa a história...

eeeei, como pode dizer que não estava bom? Você é mesmo um mentiroso, viu? kk
ResponderExcluirCaramelo de Limão
Haha! Quem bom que gostou, veremos o que acontecerá em seguida a partir de agora!
Excluir=D
:o Muito bom Pedroooooo :o Quero ver a continuação, aposto que você já tem tudo tramado na cabeça e na hora de escrever vai mudar tudo e ficará ainda melhor hahaha (é possível ficar ainda melhor?)
ResponderExcluirMe diga, que livros você lê? :)
Adolecentro
Obrigado Suzana! =D
ExcluirNa verdade... #momentoconfissão... não tenho nada tramado na minha cabeça de vento #Haha, acho que deixarei a personagem crescer junto comigo, e espero que a narrativa evolua conforme for escrevendo.
Geralmente quando termino o texto eu leio de novo, vira e mexe eu altero com o tempo, mas se fica bom ou não é vocês quem avaliam! Haha! XP (Uma mãe elogiando um filho é a coisa mais suspeita do mundo! Haha)!
Livros? Leio pouquíssimo! Retomei o hábito a pouco tempo, leio muito gibi da mônica, é sério mesmo, e mangás. Recomendo: As aventuras de Huckleberry Finn, Forrest Gump, Marina, Eu Sei o que você está pensando e Divina Comédia, são livros que me ajudaram muito.
=)
garoto não acredito que toda essa criatividade não foi fruto de "exercícios de leitura" , cada dia mais me surpreendendo :o assim vou ficar com inveja cara ;o
ExcluirHaha! Bem menos Suzana! =D
ExcluirAcontece que minha imaginação trabalha com qualquer "tipo de leitura", logo consigo criar ideias, por exemplo, de um simples aperto de mãos ou então de conversas soltas que tenho por ai! Haha :)