sábado, 1 de junho de 2013

Gritos que sussurram por socorro...





Acho que gostaria muito de dizer que realmente eu adoro ver como as pessoas são tão presas dentro de si e de observar que não tem ninguém disposto a salvá-las dessa condição, pois foram criadas assim, e como se fosse uma verdade construída por repetição tendem a repetir a fórmula esperando que um dia o universo se molde para que esse tipo de educação se torne o correto.
Eu quero falar sobre sexo, mas quem está disposto a falar disso comigo?
Meu corpo grita minha sexualidade, é gutural , é denso, deixa minha garganta seca, minha pele rubra, minhas pernas se cruzam tentando conter uma vontade muda e que consome meu corpo e minhas horas fixando-me meus olhos inquietos no quadro negro onde se escreve em giz branco com sensuais movimentos de braços, pra lá e pra cá, aprendendo sobre o pretérito imperfeito, já que "desejava, mas tinha que prestar atenção na aula", que só me lembra como eu me sinto no presente do indicativo, pois "eu desejo agora mais do que em nenhum outro momento" e o meu futuro do presente é previsível, visto que "antes da aula acabar, terei enlouquecido de vontade sem ninguém saber"... 
Por que não posso deixar meus pelos cobrirem meu corpo? Por que isso é errado?
Por que tenho que cobrir meu corpo de roupas bonitas para parecer atraente?
Por que as pessoas achariam que sou uma pessoa fácil de se transar?
Por que você se reprime? Por que me reprime? Por que não fala abertamente que sempre gostou mais de asiáticas ou de mulheres de bigode? E você de homens baixinhos, meninos barrigudos, ou de rapazes mais burros que você?
Qual é o seu problema? Por que quer torna-lo o meu problema também? Por que você não admite que você é um pervertido, que tem fantasias comigo e com outros tantos mais que nem sabe o nome? 
Quem sabe eu não sou também? Quem sabe o que o mais recatado de todos esconde no armário? E se ele se esconde por inteiro, junto com seus desejos e seus brinquedos comprados em caixas, sem nome,  sem formatos suspeitos, sem origem aparente?
E você quer que eu cresça assim? Será que você quer me tornar um doente que não fala e explode em atos de barbárie pois nunca conseguiu exprimir o que sentia? Prefere estrangular seus loucos em remédios do que trata-los com café ou chá com biscoitos acompanhados de um pouco de gentileza? Será você o dono da verdade ou aquele que quer esconde-la? E se esconder? E me esconder? 
Eu vejo a juventude, que junto a mim, anda pelas ruas, e tanta informação e tanta prisão que a nossa forma de expressão muitas vezes ultrapassa os limites do que é "aceitável", mas por que você não me dá uma explicação descente sobre como tudo isso funciona?
O conhecimento nunca me fez mal, então por que me solta de olhos vendados num mundo de contidos e de sofridos, eles sabem mais do que eu, eles podem me iludir, eles podem me catequizar aos seus moldes, por que você não senta comigo pra falar do mesmo ato que me gerou? É tão natural quanto sentir fome, ou sede, ou querer morrer, se arrepender, chorar, entristecer, reviver!
Deixe eu ter um pouco de fé nesse mundo!
Vai esperar que eu adoeça, engravide, apanhe ou morra, seja preso ou seja "taxado" de alguma coisa que talvez eu nem tenha consciência ou que só existe por que os outros dizem e julgam? Gritamos um com os outros depois de dois dias que eu fugi de casa e me encontrou num bar mal acabado, por que você se preocupou comigo, e é assim que você controla a razão ou por que você entende que como eu não faz ideia do que fazer, já que nunca lhe falaram nada sobre isso, além de dizer que isso é errado e amém?
Vai esperar o grito desesperado da sociedade que adoece ou vai se sentar comigo enquanto eu consigo escutar a sua voz que eu amo tanto?
Me ensine sobre gêneros, me ensino sobre sexo, sobre masturbação, sobre meu corpo, sobre o seu corpo, sobre amor, sobre relacionamentos, sobre pessoas, sobre situações, me conte seus desejos, eu preciso de você e eu acho que você precisa de um copo de água, pois eu sei, não vai ser uma conversa fácil...
Quem sabe sua meninas possa ser olhada sem  ser violentada com gestos, olhares e palavras...
Quem sabe seu menino possa sair sem ser julgado, humilhado,  desafiado, e violentado, pois sim, o homem também sofre.
E qualquer sexista exploda-se em mil pedaços pois se você luta por o direito de alguns eu luto para que todos compreendam sua real situação.
Você está disposto a mudar tudo isso ou prefere fechar está janela e esquecer de tudo o que leu e reclamar de como no seu tempo era diferente e admite que você não é capaz de se adaptar, por que não quer ter o trabalho de agir ou pensar, seu monte de lixo...

Dedico este texto a todos os jovens que como eu precisam de você, sociedade.

Escutando : "I Appear Missing" - Queens of Stone Age

5 comentários:

  1. "Não vai ser uma conversa fácil..."

    Por que não? Por que não pode ser natural? Me lembro de me dizerem que muitas coisas eram erradas e ponto. A conversa nunca foi além disso. Não é fácil sentir que está aprendendo tudo sozinho. Pelo menos eu não achei. Nem sei o que eu aprendi, não sei o que sei. O medo do mundo ainda é muito presente, não escrevo grande parte do que penso por isso: o medo de falar, me ensinaram que era errado falar, que era sujo, baixo. Mas eu não sei, na verdade, o que absorvi de tudo isso.

    Caramelo de Limão

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    1. Acho que pra quem nunca teve essa conversa com alguém, provavelmente terá uma experiência um pouco "não natural", a menos que a pessoa tenha uma mente libertadora ou um espírito mais livre. Desde que atitudes sejam tomadas talvez medos e dúvidas como as suas sejam inexistente ou a menos não tão assustadoras...
      Não é errado falar, as pessoas só tem medo de falar e falar errado, tem medo das consequências, mas até aqueles que as assumem temem por dentro, eu acho...

      Abraços Fleur, sua linda e obrigado pelo comentário

      =)

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  2. No mínimo corajoso. "Silêncio podem te ouvir e censurar". Me fez lembrar Renato Russo e suas letras do grito juvenil para a sociedade ditatorial. Já deve ter ouvido a música "Perfeição". A sociedade condena o inocente e na calada da noite faz muito pior, em todos os sentidos. Há uma falsa moral, pouco ou nada natural, que refaz a "geração coca-cola". E eu morro de vergonha de tirar a roupa da amada na canção e me sinto um criminoso por desejar tocá-la a pele. E de fato a falta de orientação para a vida pelos pais. O excesso de informação da mídia. O tabu e a realidade destabulizada estabelecem um contrassenso e o grito vem nos excessos, na "geração perdida" que precisa achar seu caminho numa via de mãos múltiplas.
    Excelente texto, de crueza e nudez ímpares, lâmina afiada na pele.

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    1. Jogarei meu ego na turbina do foguete agora! *----------*
      Eu gostei muito de escrever esse texto Danilo, recebi alguns gatilhos no meu dia que me fizeram ter essa explosão e ter de botar tudo pra fora, afinal de contas, algumas pessoas ainda conseguem falar, não é?
      Muito Obrigado pelo comentário! *-*
      Um dia eu quero aprender a escrever como você! LINDO! =D

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  3. Nunca vai escrever igual a mim. Simplesmente porque escreve melhor. Do seu jeito, com a sua personalidade, o seu conhecimento, a sua vivência, o seu estilo, a sua sabedoria, a sua voz. Sempre que leio o que escreve eu penso: "nossa o cara é um gênio". Sempre tenho a certeza de ter aprendido, passado a ter uma visão mais ampliada de mundo. O conhecimento é infinito. A quantidade de visões e opiniões e formas de expressão. A diversidade de maneiras que se pode descrever um pôr do sol, uma pedra, uma cor. Uma coisa é certa, quando leio o que o Sr. a Srta. Jéssica e outros, me dá vontade de escrever mais e mais, para dividir com vocês, assim como dividem comigo seus textos. E isso é demais, depois de tanto tempo dividindo com quem sequer tem paciência de ler mais que 2 (duas) linhas. Continue nos agraciando com suas publicações garoto!

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