domingo, 9 de junho de 2013

Por favor...

Asfixia... Preciso respirar, não consigo...
A noite de junho passa estática sobre o seu véu frio e negro do espaço vazio que cobre o topo da minha cabeça e o resto do meu corpo. Imerso numa atmosfera densa como um nevoeiro de um marrom avermelhado, como ferrugem, por todos os lados, fumaça tóxica de uma fábrica de progresso, entra pelos meus pulmões, não é mais gás, lá dentro, mas sim metal, quente e pesado que preenche desde minha cavidade nasal até o último alvéolo dos pulmões esquerdo e direito, impedindo qualquer tímido e necessário movimento de meu diafragma... respirar? Jamais, parece que aquilo nunca foi possível antes, pois já não consigo mais...
Meu corpo, em colapso, não alça nem mais um passo da calçada mal feita de paralelepípedos brancos e pretos, cujo tempo já fez a rachar em mil pedaços soltos onde plantas crescem nas fendas abertas. Cada movimento é trêmulo e cambaleante como se andasse numa corda bamba sob os pés descalços e uma que atravessasse o meio do pescoço e abaixo de mim um enorme picadeiro, onde mil pares de olhos me observam esperando no fundo de seus corações que o pior aconteça. Meus pés já não reconhecem a mim como parte deles, minhas pernas também não, nem meu quadril, costas, braços e cabeça, tudo não passa de partes soltas, coincidentemente juntas pelo acaso, que parecem se despedaçar, ser arrancados um dos outros num menor movimento em falso e voarão por ai, sem rumo, como se flutuassem num mundo sem gravidade, pra nunca mais se encontrarem...
Na boca, o gosto metálico daquilo que já preenchia os pulmões, cada vez que experimentava o sabor o céu da boca se cortava profundamente e em consequência escorria-me pela garganta, pela língua e os dentes o grito desesperado e ensurdecedor de alguém que não é entendido, a não ser pelos mesmos motivos que o fizeram sangrar todas aquelas suplicas gritadas com cheiro e o gosto das lágrimas de uma pessoa viúva.
O coração já não batia... Socava, na esperança do sangue bombear algo mais vivo do que aquele vermelho sangue, que fizesse me renascer daquela condição onde não se sentia mais vida e a morte lhe parecia, tão mais convincente, naquele ritmo forçado e cardíaco de quem se arrastava por um longo corredor atrás de algo que anda com as duas pernas, passos largos e que nem lembra que você está ali, no chão.
Sentir em cada dedo um pútrido músculo, carne ou tendão se desfazendo por inteiro enquanto a simples ideia de existir parece ser um luxo dado a qualquer outro que não seja você mesmo... 
Você chora, sangra, se derrama por inteiro...
O sentimento toma teu corpo por completo, é verdadeiro...
Um segundo em desespero... em várias vezes sem juros... até a sensação passar...




Escrito dia 09/06/2013 ás  02:40

2 comentários:

  1. Obrigado mãe, mas insisto que devo deslogar meu usuário do computador ai de casa, pois pareço um louco falando comigo mesmo!

    Beijão! *-*

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