Asfixia... Preciso respirar, não consigo...
A noite de junho passa estática sobre o seu véu frio e negro
do espaço vazio que cobre o topo da minha cabeça e o resto do meu corpo. Imerso
numa atmosfera densa como um nevoeiro de um marrom avermelhado, como ferrugem,
por todos os lados, fumaça tóxica de uma fábrica de progresso, entra pelos meus
pulmões, não é mais gás, lá dentro, mas sim metal, quente e pesado que preenche
desde minha cavidade nasal até o último alvéolo dos pulmões esquerdo e direito,
impedindo qualquer tímido e necessário movimento de meu diafragma... respirar?
Jamais, parece que aquilo nunca foi possível antes, pois já não consigo mais...
Meu corpo, em colapso, não alça nem mais um passo da calçada
mal feita de paralelepípedos brancos e pretos, cujo tempo já fez a rachar em
mil pedaços soltos onde plantas crescem nas fendas abertas. Cada movimento é
trêmulo e cambaleante como se andasse numa corda bamba sob os pés descalços e
uma que atravessasse o meio do pescoço e abaixo de mim um enorme picadeiro,
onde mil pares de olhos me observam esperando no fundo de seus corações que o
pior aconteça. Meus pés já não reconhecem a mim como parte deles, minhas pernas
também não, nem meu quadril, costas, braços e cabeça, tudo não passa de partes
soltas, coincidentemente juntas pelo acaso, que parecem se despedaçar, ser
arrancados um dos outros num menor movimento em falso e voarão por ai, sem
rumo, como se flutuassem num mundo sem gravidade, pra nunca mais se
encontrarem...
Na boca, o gosto metálico daquilo que já preenchia os
pulmões, cada vez que experimentava o sabor o céu da boca se cortava
profundamente e em consequência escorria-me pela garganta, pela língua e os
dentes o grito desesperado e ensurdecedor de alguém que não é entendido, a não
ser pelos mesmos motivos que o fizeram sangrar todas aquelas suplicas gritadas
com cheiro e o gosto das lágrimas de uma pessoa viúva.
O coração já não batia... Socava, na esperança do sangue
bombear algo mais vivo do que aquele vermelho sangue, que fizesse me renascer
daquela condição onde não se sentia mais vida e a morte lhe parecia, tão mais
convincente, naquele ritmo forçado e cardíaco de quem se arrastava por um longo
corredor atrás de algo que anda com as duas pernas, passos largos e que nem
lembra que você está ali, no chão.
Sentir em cada dedo um pútrido músculo, carne ou tendão se
desfazendo por inteiro enquanto a simples ideia de existir parece ser um luxo dado
a qualquer outro que não seja você mesmo...
Você chora, sangra, se derrama por inteiro...
O sentimento toma teu corpo por completo, é verdadeiro...
Um segundo em
desespero... em várias vezes sem juros... até a sensação passar...
Escrito dia 09/06/2013 ás 02:40

Lindo ...filhinho do coração.
ResponderExcluirObrigado mãe, mas insisto que devo deslogar meu usuário do computador ai de casa, pois pareço um louco falando comigo mesmo!
ResponderExcluirBeijão! *-*