segunda-feira, 10 de março de 2014

Eu vi, eu vejo, e Percevejo o sangue que sobe nos lábios seus!


Me deixa embriagado de vida toda sua desenvoltura raivosa que rasga nossos diálogos ao meio com suas garras vorazes, que já pronta arranca cada palavra ou razão de algo que tenhamos para dizer, substituindo assim os por quês por gemidos guturais e me presenteia com respostas confusas que nem sequer tenho a pergunta, o que te deixa ainda mais... linda.
Eu não ajudo muito a conter sua explosão, pois fico perdido olhando aquela veia que salta pelo pescoço que eu gosto de acariciar enquanto você fica cada vez mais poderosa, na adrenalina e na emoção me atira o vaso que ganhamos de casamento de sua tia-avó que você sempre odiou.
O olhar, que agora deixou muda qualquer semente de pensamento que cultivei entre seu último beijo e o prato de comida que esqueci de dizer que estava delicioso que foi parar do chão em mais um de seus shows, me faz lembrar o dia que me xingou pela primeira vez em nosso primeiro encontro enquanto me lançava o ainda desconhecido mirar: "É melhor você correr, seu ordinário!" e eu não queria mais deixar de te fitar seus olhos avermelhados.
Agora você me fita enquanto de camarote vejo seus pés se mexerem num descompasso engraçado enquanto suas mãos perigosamente fazem malabarismos com os cacos quebrados próximos ao meu rosto embasbacado de como rebola sensual enquanto grita que queria um pouco mais de atenção, mesmo não percebendo que comprei todos os lugares do apartamento pra te ver todos os dias o seu espetáculo.
O salto 15cm de um elegante mulher de vestido vermelho não se compara a um pontapé do pé tamanho 36 que queria ter ido ao teatro, mas foi convidado pra festa de 80 anos do patrão e deseja muito um pouco de arte e nesse fogo que no peito arde lança-se ao ar voadora buscando o minha boca, que é também sua, que não a disse pra deixar de formalidades e mandar seu patrão merda e ver as pessoas nuas vivendo situações cruas de amor, violência e felicidade nos palcos do teatro da vida e da arte e apenas com uma marca de tênis nas costas viro a chave do cadillac.
O que acho muito engraçado, pois o que tem de vaidosa tem de furiosa e não liga nem um pouco de deixar seus lindos cabelos recém chegados do cabelereiro parecidos com uma juba de leão se for pra deixar o tom da conversa mais ameaçador e as maravilhosas unhas cor de anis como garras gastas nas minhas roupas ao tentar me apertar, machucar, pra me trazer pra perto, pra dizer que sente minha falta e eu também, porque eu te amo menina mais raivosa do meu mundo, são só alguns dias, já vai passar...

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