domingo, 7 de abril de 2013

Me diga apenas uma palavra, é importante!!!




_ BEP! BEP! BEP! BEP! ...CLICK! – Escandalizava o despertador como um sujeito turrão que insiste em defender seu ponto de vista aos berros até ser acariciado pela mão perdida e sonolenta de alguém com um bom argumento, que se esqueceu de tirar o alarme do relógio, pois não trabalharia naquele dia.
Levantei-me marionete, parte por parte, num ritmo harmonioso e engraçado como se a qualquer momento começa-se a falar sem mover os lábios e sair andando sem meus fios, menino de madeira, pelos estalos de crocante corpo que como um boneco não fazia exercícios.
Ajeite-me com um belo short xadrez azul e verde, meu belo chapéu panamá, uma camiseta branca toda limpa e alva como minha mente naquele instante e meus belos chinelos, Ah, confortáveis sandálias da humildade, representação de meu desapego total do requinte de meus sapatos e voluptuoso caso de amor com o conforto, de sentir o vento passando por todos os vãos de meus dedos, que sensação maravilhosa...
Duas belas torradas com manteiga, um grande copo fervente de café com leite e umas bolachas de nata caseiras compunham meu maravilhoso e descompromissado café da manhã, que banquete! Já passava das 8 da manhã quando terminei de me aprontar: chave, carteira e celular compunham a trindade da qual não saio sem antes bater umas três vezes no bolso pra ver se me acompanham. Agora é só pegar meus óculos e ... por um breve momento sorri, uma sensação me preenchia misteriosa e acabei por deixa-los ali bem confortáveis e cima da mesa e coloquei-me porta a fora, era uma bela manhã cinzenta de domingo, as nuvens davam ao dia um aspecto mais favorável e um clima agradável para um bom passeio diurno.
As ruas e suas pessoas recém-acordadas se mostravam tímidas, empijamadas e com remelas até nas orelhas a buscar seus jornais na soleira da porta ou na varanda, enquanto uns já colocavam em suas bocas canecos cheios de café a deitar nas redes e espreguiçadeiras para ver as primeiras horas do dia passar na rua no ritmo de um carnaval de jovens de 90 anos. Dos quintais já se ouviam as mulheres cuidando de seus jardins, estendendo seus alvos lençóis nos varais depois de uma bela sessão na máquina de lavar, maravilhosa invenção para as famílias e solteirões, ou a sair andar com suas bicicletas de cestinha de palha com bonitos lenços de pescoço e vestidos que iam do carmesim ao turquesa, enquanto as primeiras peraltices já davam alerta de estilingues, cabelos sem pentear e pés descalços.
Olhei tudo aquilo como um belo quadro naturalista em tons vivos que contrastava com o prateado céu de abril, aquilo era belo demais pra uma pintura, estragaria a essência. Foi quando um estalo me ocorreu, lembrei-me de uma palavra que pedi no dia anterior a uma amiga, podia ser uma palavra, qualquer uma, a palavra que ela me deu foi... Felicidade.
 _ O que é felicidade? – indaguei como alguém que realmente usou tantas vezes uma palavra e nunca pensou sobre o significado.
Dois minutos depois de tanto pensar, sai andando sem pensar muito no caso quando avistei Diogo, um rapaz magro de expressão forte, vestia belas roupas que me lembravam um modelo alternativo dos anos 90’s, colocava inveja a homens e mulheres pelo bom gosto e eloquência, trazia consigo algumas sacolas muito cheias, me cumprimentou com um sorriso simpático e parou de repente na minha frente percebendo minha inquietude e confusão, que na verdade eram bem corriqueiras.
 _O que temos pra hoje, meu caro?  - Perguntou em tom zombeteiro.
_ Diogo, o que é felicidade pra você? – perguntei em sequência com os olhos profundos de dúvida.
Deu uma risada alta e me olhou com mais zombaria ainda e colocou-se a falar novamente:
 _Pensei que era coisa séria, essa é fácil, vender Toptherm e Jequiti, para mim é felicidade! – disse radiante e risonho, enquanto eu olhava espantado.
 _Pense na felicidade que é poder vender todas esses produtos, ganhar dinheiro, fazer minhas colegas felizes e ainda viver andando por ai, pra mim, uma das melhores coisas que já fiz – terminou enquanto ajeitava suas sacolas para partir – Vá ser feliz rapaz, deixe de caraminholas na cabeça! – e pôs-se a andar naquele ritmo equilibrado entre sorrisos e sacolas rua a dentro nos quintais e casas de toda mulherada.
_ Acho que isso vai dar trabalho... – enquanto dobrava a esquina na padaria da Dona conceição.
Daquele lugar, emanava um hálito quente da cozinha sonhos de doce de leite e goiabada, pães frescos, café torrado fresquinho, deliciosas laranjadas, sanduíches de queijo minas e a especialidade local: belos croissants que lhe renderam dois belos prêmios de “Melhor Padeira(o) que o seu Manoel” concurso tradicional da Região em homenagem ao primeiro padeiro da cidade, que tinha nome de Português, Bigode de Português, Falava Português, mas vinha de São José do Egito – Paraíba filho de uma Baiana e um  Carioca da Urca.
Nas mesas do lado de fora encontrei duas figuras conhecidas, Michelly e Elvis, que por sinal, tinham uma bela primeira refeição em meio aos vapores dos pães quentinhos e do som dos passarinhos na praça ao lado.
Ao me avistarem deram um longo e desajeitado sorriso enquanto me cumprimentavam e puxavam uma cadeira para que senta-se junto aos dois que falavam sobre um show que viram na noite anterior que ainda estava acontecendo naquela mesa. Meio sem jeito de quebrar a conversa animada, percebi boa oportunidade de saber o que achavam daquela pergunta enigmática:
 _Vocês podem me falar, mas falar a verdade, assim, pra vocês, o que é felicidade?
Eles riram enquanto se entreolhavam e me respondiam de imediato:
_ É ter amigos de verdade por perto! – Sorria Michelly mais Mona do que Da Vinci já imaginou e Lisa pela mesa agora segurava a mão de Elvis e a minha.
_ É um bom café! – Dizia Elvis enquanto levava a boca uma boa xícara café com significado mais profundo e literário que as obras de Camões, e o oferecia a moça ao lado.
_Muito Obrigado!  - Sai cambaleante de cena da qual só era só uma mera árvore grande de fundo enquanto a felicidades deles acontecia na sombra tranquila daquele lugar, embebidos em ares perfumados de coisas que eram mais gostosos que suspiros e casadinhos.
 _ Hmmmmm.... Interessante...  – pensei enquanto admirava a dança entre o prateado do céu nublado e o dourado do sol, que sombreava a maior parte da rua ao mesmo tempo que pequenos faixos de luz iluminavam alguns porções como se algum anjo fosse descer naquele lugar, ou como se o sol afastasse as nuvens para espiar nossas estripulias.
Dei a volta no quarteirão e encontrei estirada no chão, descalça e com o cabelo desarrumado a Pequena Ana que se divertia, antes de minha chegada, nas amarelinhas desenhadas da vida.
_Ei Aninha, pode parar um pouquinho e prestar atenção, o que é a sua felicidade, pra você sorrir assim de montão?
Ela me olhou com cara séria de adulto dando bronca, e falou pegando uma varetinha como se fosse explicar importante lição:
 _Sorriso não é felicidade tio, um bobo sorri porque é bobo, um malandro sorri por que é malandro, um palhaço sorri por que é palhaço, um adulto sorri por que é bobo, não necessariamente por que é feliz. – Disse enquanto o queixo descolava da mandíbula e faria uma rara visita aos meus pés que ficaram até bambos acomodados nos chinelos que me mantiveram firme com aquela cara taxo enquanto ela agora sorria criança a terminar sua lição – Felicidade pra mim é poder brincar pra caramba e dormir por muito tempo depois, e de quebra dormir acordado também por que sonhar faz parte da felicidade. – Sorriu banguela, pegou sua boneca e saiu saltivoando pela rua meio fada, meio moleca pra dentro de casa onde sua mãe já chamava pra arrumar a “gadeia”.
Eu já nem falava mais, só sorria enquanto sem notar já atravessava as construções da área nova e me encontrava no portão da casa de meus avós.
Era uma bela casa de madeira com um portão também em madeira com uma manivela de ferro bem posicionada na parte superior da porta. Ela era de uma cor creme, a pouco tempo pintada, janelas de vidro sem grades, um gramado verdinho com uma goiabeira e um tanque ao centro, no fundo tinha uma horta que era palco de minhas expedições na floresta com limoeiros, roseiras, um belo pé de jabuticaba, temperos e vários pés de banana mais abaixo, era aconchegante, tinha cara de casa de vó, com alguns banquinhos e cadeiras do lado de fora, uma delas apoiava um velho radinho que meu avô escutava enquanto chegava tocando um modão de viola que o fazia voltar no tempo.
Sentei-me aos seus pés e tirei meu chapéu, na grama mesmo, enquanto sentado na cadeira de um emaranhado de fios de todas as cores contava histórias como de costume, minha vó estava do lado de dentro preparando um bolo bem gostoso, desses que acompanha um belo copo de Leite quentinho e se você se lambuza inteiro.
Quando os dois ficaram ali fora junto a mim perguntei a eles o que era felicidade, sorriram tranquilos enquanto minha vó se servia de um bom naco de bolo:
_ Paz, meu querido, paz com os outros, paz com Deus, a verdadeira felicidade é aquele sentimento bom de tranquilidade dentro de você em qualquer ocasião, onde você estiver!
Eles sorriram um para o outro e eu entendi o que realmente eu procurava. Agradeceram a visita e eu a luz que me davam. Voltei para casa sobre um ar fresco que batia nas folhas árvores que trazia o perfume das flores da época, e eu sorrindo pude entender... finalmente...
Chegando em casa entrei logo em meu quarto e sentei diante da grande máquina de escrever que ganhei de meu pai, e num simples gesto como naqueles velhos seriados onde encharutados jornalistas colocavam-se ávidos a tecer grandes matérias naquelas poderosas transcrevedoras de palavras humanas coloquei em letras Maiúsculas, minúsculas, Parágrafo, aspas e Travessão:


“Felicidade minha amiga
É uma palavra para todos
Com significados diferentes
para cada um.
Não preciso de meus bons óculos
Pra isso ver
Tão pouco chapéu pra me proteger
ou muito estudo pra saber.
Preciso apenas de uma coisa
Ser Feliz do jeito que gosto de ser
com todos vocês.”




Obrigado a todos vocês.
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz! ♪♫



É isso ae pessoal, deu um trabalho muito grande, nem ficou tão bom, mas acreditem, eu fiquei feliz por terminar esse texto, espero que gostem e até semana que vem, se tiverem felizes também juntem-se a mim e vamos pra algum lugar, sei lá, onde a gente pode aproveitar, tudo que não estava previsto pra rolar, segundo os Móveis Colôniais de Acaju! Haha *-*
Um grande abraço e até a próxima crônica em PietrumdiAmolari  *\( *-*)/*


 Me diga apenas uma palavra, é importante!!!

É importante ser Feliz! Haha =)


(Pedro Henrique de Assis)

2 comentários:

  1. Bem que você comentou isso na minha página ontem haha Todo inspirado né, nesse sentimento. Realmente felicidade tem significados diferentes para cada um, o que importa é sabermos o que ela significa pra nós mesmos (assim a vida tem sentido) :)

    Adolecentro

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    1. Acho que você captou um dos significados do texto: O seu!
      Haha =D

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