Abriu os olhos e tingiu o universo com três tons do
mais profundo silêncio, um negror que cheirava lágrimas que caem do lado de
dentro, levantou-se e tomou um copo inteiro de ar e olhou a marca do que antes
lá havia e agora o agoniava pelo corpo todo.
A cama já estava fria, antes mesmo de levantar, seu
corpo já não esquentava aquela cama vazia, não havia calor em suas mãos ou em
suas palavras, depois do acontecido e das uma ou duas horas de sono conturbado
ouvia seu corpo cansado de olhar aquele objeto que não tinha mais nenhum
significado, mas que ainda brilhava uma vida, que decidiu deixar para trás.
Andava inquieto e fitava o infinito de
possibilidades que o universo o permitia, ele olhava para fora, através de sua
janela que tinha grades, a luz do sol, que se jogava lá de cima, do
desconhecido espaço entre a estrela e o pequeno apartamento, não conseguia
ultrapassar em parte aquelas barras de ferro frias...
A luz era corpo que só conseguia colocar seus
braços e pernas para dentro daquele pequeno quarto, acariciava sua pele, mas
não envolvia-o num abraço ou o beijava os lábios estava presa do lado de fora
da pessoa dele, ela não era mais parte do seu ser...
Teimosia em socos certeiros e raiva despontando em
pontapés derrubavam tudo aquilo que tinham construído durante todo esse
tempo, corroídos os destroços pelo veneno da desconfiança eram varridos para
baixo do tapete vermelho pela indiferença, onde todas as lembranças
importantes, ou todas elas, desfilavam para todo canto e o encanto de cada
memória agora lhe passava por todos os dois olhos marejados em rios de saudade
que nasciam da culpa de machucar alguém e desembocavam no chão que não limpava
desde a semana passada... restos de saudade e de doritos ao chão...
Aquietou-se e ajoelhou, em seus próprios cacos e
rezou, como sempre, pelas mesmas pessoas, todas elas, e pelos mesmo motivos,
todas elas, e depois disso entrou dentro daquela casca vazia que um dia foi seu corpo e afundou em sua alma atormentada.
Dentro de si havia aquele salão vazio, onde várias
pessoas, todas elas ele, de diferentes épocas e situações sentavam para discutir
a atual situação e lembra-lo de tudo o que foi feito, "Human After
All" elas diziam sempre ao final. Elas haviam ido embora, deixando a
távola, as cadeiras e o salão infinitamente branco vazios, ele abandonou a si e nem percebeu. Ao voltar os olhos para a porta na direção oposto viu erguer-se da sombra da própria manifestação corpórea, um espectro, um monstruoso ser que já não possuía
carnes, nem coração conectava-se com ele através de correntes e cada vez que respirava,
de forma ofegante, triste e pesada, roubava alguns dias de vida e o seguia
como se fosse uma alma amaldiçoada esperando, talvez a morte para que possa consumir desde os ossos e o que restava de bom em si.
Voltou de dentro para fora, naquele lugar que havia repousado o corpo e acima da cabeça a realidade daquele ser continuava lá, a consumi-lo aos poucos com um ensurdecedor grito de ódio e agonia a cada bocada.
Tragou mais um gole de ar, o monstro um gole dele, o objeto um gole a mais de atenção e a situação alimentava-se entorno daquele que brilhava na
mesa, mas que já deixara os brilhos dos olhos do rapaz.
Alguns minutos depois dessa jornada suas carnes exalavam um fétido sussurro gelado que clamava por ajuda e alguém pra conversar. Correu para janela e apoiado nela falou em voz baixa com alguém que pra ele é, e continua sendo , um anjo com traços de índia, que cruzou em seu caminho a alguns
anos atrás, e mesmo tão longe ela aquecia seu coração com suas palavras verdadeiras,
fazendo retornar as cores dos meus melhores dias e fazia uma promessa de ajuda pra
quem já não esperava uma solução, além de receber um perdão, tudo isso por
apenas alguns centavos pela ligação.
Perdido na complexidade daquilo que não controlava,
seu sentir e imerso na responsabilidade de existir, e trabalhar pra garantir
que isso continuasse, vestiu uma boa roupa de rosto, daquelas que vestem como luva um sorriso forçado de comercial de pasta de dente, colocou um par de
tênis e seguiu para um de seus mais longos dias...

Pesado. Triste. Pude sentir lá no fundo cada palavra.
ResponderExcluirCaramelo de Limão
Então acho que consegui transmitir tudo o que essas palavras significaram um dia...
ExcluirÉ incrível sua genialidade. O turbilhão e a maneira de colocar as palavras e orações. A capacidade de prender a atenção do leitor, que sequer tem coragem de respirar, com medo que isso atrapalhe a concentração e abstração que a leitura do texto exige e provoca. Talento puro garoto! Prossiga e explore cada vez mais essa capacidade absurda de criar.
ResponderExcluir#sqn
ExcluirObrigado Danilo, acho que foi a própria lembrança e o sentimento libertado que escreveram esse texto, eu só fui aquele que transcreveu as palavras e as lágrimas para o computador! =)
Muito obrigado e continuarei a me dedicar a escrita, quem sabe um dia eu seja autor de um livro como você! *-------*
Triste, intenso... Maravilhoso...
ResponderExcluirPoxa, fiquei sem palavras...
Obrigado pela vista Suzana! =)
ExcluirTalvez seja assim porque as vezes a verdade é triste demais e as palavras são tão reais quanto a dor do passado...
Muito triste!beijos
ResponderExcluirObrigado pela visita Priscila! =)
ExcluirAutor você já é rapaz, só falta publicar, o que é muito simples da maneira que eu fiz, qualquer um publica ou publicaria. Não é mérito algum o meu, pagar para ser publicado, apenas para ter em mãos os escritos em forma de livro. Mas é bem difícil publicar de outra forma em nosso país, a não ser em antologias que de uma forma ou outra também se acaba pagando para ser publicado. O mercado editorial é bem restrito e cauteloso, ocupa-se dos nomes já consagrados que podem dar um retorno financeiro certo. Mande seus escritos para uma editora, acredito que no seu caso, possivelmente as portas se abririam porque seu talento é fora do comum. Se quiser fazer como eu fiz te mando os links e tal até para ter um livro já impresso para apresentar. Por ora tem o blog que é uma alternativa a nós desconhecidos apreciadores da escrita. Flw!
ResponderExcluirObrigado pelas dicas Danilo! *-*
ExcluirAcho que posso tentar alguma coisa nessa linha, mas por enquanto ficarei no blog que mal tenho tempo de atualizar graças as várias obrigações que tenho! E pare de me estragar com elogios! a estrela aqui é você! =D
Abraços