O tempo é uma brincadeira inventada pelo homem ou
talvez uma brincadeira que inventou o homem.
Desvio o olhar pra janela e deslumbro um pequeno
espinhoso, ali sutil, na sua residência ensolarada crescendo graças aos
inúmeros processos biológicos envolvidos naquele corpo, verde esmeralda, com o
tempo.
Como pano de fundo vejo o céu, metade calmamente coberto,
como se estivesse parte com frio e parte com as pernas pra fora, nuas e
confortáveis, como as pessoas que dormiam abaixo dele, sobre o vento que
acariciava os cabelos e as pipas que se viam subindo embaixo da rua. Que dia
bonito.
Porém ao olhar pela mesma janela agora não vejo o
mesmo cacto, ele já não é da mesma maneira... ele acabou perdendo um dos seus
braços, vítima de uma peculiar acidente com travesseiros selvagens, nada muito
sério, o restante do indivíduo cactáceo encontra-se com outros dois
prolongamentos fortes e verdinhos, com alguns arranhões de animal doméstico,
reza a lenda, mas tudo bem.
O céu, por outro lado, está coberto inteiro com um
temperamento cinzento e derrama por todos nós suas opiniões e argumentos
trovejantes que rasgavam tudo em seu caminho, e entre perdigotos e hálitos
gelados varriam toda extensão da qual se enxergava pela janela.
Tudo isso ocorreu por que tudo muda, afinal o mundo
não é uma fotografia de um cacto num parapeito de janela sob o céu azul cheio
de nuvens pairando sobre ele, o tempo, talvez, seja ser ou não ser, brincando
de transformar, brincando de fingir que não existe pra ninguém notar ele
brincar ali atrás de tudo, brincando de me envelhecer e fazer brincar de falar
do tempo... Que tempo bonito.

E que bonito é o tempo...
ResponderExcluirE que bonita é o tempo! (-=
ExcluirCom o tempo passando temos várias fotografias ^-^ Só é triste (ou egoísta) pensar que não vamos participar ou presenciar tantas fotos.
ResponderExcluirSão apenas instantes de ausência, quando o que importa, pra minha pessoa, é estar ao lado em todas horas boas que eu puder! *w*
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