domingo, 20 de abril de 2014

Não é pecado esquecer, mas doí pra quem lembra por dois...


Fazia frio, mesmo para as noites quentes de abril, e não chovia do lado de fora. Meu olhar se perdia bem onde o limite de minha cegueira noturna distinguia o contorno da coberta que cobria o seu sorriso e seu corpo. Poucos segundos atrás tive a imensa incerteza do que queria te dizer mesmo sabendo que tudo andava tão fora do comum que eu até já não dormia sozinho e também não atendia tanto o celular. Seu olhar sonolento naquela hora da madrugada então só me fazia ter mais vontade de arriscar algo do que prolongar minhas angústias de uma pergunta que te fez ficar mais confusa ainda do que eu, provável, mas devo te dizer que foi um dos meus maiores momentos de coragem, devido as circunstâncias, nem posso considerar quando fui conhecer seus pais em cima da hora, tive muito mais medo de te falar naquele instante do que falar sobre futebol com quem eu beijo a filha. Foi profundo, rápido, tipo um raio, a primeira reação é um choque, olhar estático e a luz do olhar que encara, depois a dor no peito, os dentes serram e o coração bate com o ensurdecedor som da pergunta, em seguida o medo das consequências do golpe, de responder e sobreviver a tudo sem certeza nenhuma, nesse caso com "eu quero", fui eu quem morri, de gosto, e naquela hora só queria te amar, e me importar com mais porcaria nenhuma.
Talvez agora entenda a falta de brilho no meu olhar, de luz, de choque, e de som naquele dia quando tive que me importar com todas as coisas e não ter tido tempo de te amar quase de maneira alguma, só de lembrança e de ir embora sem te ouvir dizer que se lembrava também...

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